Arquivo para outubro \15\UTC 2009

15
out
09

Dexter – S04E02 – Remains to Be Seen

Com esse segundo episódio, “Dexter” conseguiu vencer minha desconfiança adquirida após a irregular temporada passada. Focando, assim como no primeiro episódio, no Dexter esgotado por conta do novo momento de sua vida, o episódio explorou bem a idéia sem parecer enfadonho.

Logo no início descobrimos que o corpo de Benny Gomez não estava no carro acidentado de Dexter. Entretanto, nem ele sabe onde está! Por conta do acidente, e da estafa mental, nosso serial killer esqueceu onde pôs o corpo e tenta reconstruir a noite passada com o objetivo de achar os restos de sua mais recente vítima. Foi uma idéia bem sacada e bem executada, coisa que poucos programas conseguem fazer hoje em dia. Vai ser legal ver o que mais Dexter vai ter que suportar para manter seu disfarce, e até quando ele vai conseguir fazer isso.

Fora isso, temos mais algumas cenas com o Trinity Killer (bastante ameaçador na pele de John Litgow), um destaque maior a outro assassino, o Vacation Killer e Debra tentando lidar com os sentimentos que tem pelo agente Lundy (ou “agente vovô”, como foi apelidado pelo Quinn).

"Onde tá aquele corpo?"A única coisa que continua me incomodando é esse romance entre o Angel e a Maria LaGuerta. Parece que foi algo criado para que os personagens continuassem na série. E geralmente esse tipo de história só nos faz sentir que estamos perdendo tempo. Mas espero que pelo menos a trama principal continue nesse bom ritmo, pois com uma história envolvente assim, eu até me sujeito a ver esse casal sem graça discutindo a relação na delegacia.

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09
out
09

Bastardos Inglórios – Inglorious Basterds

O novo filme de Quentin Tarantino chega aos cinemas do Brasil hoje, dia 9 de Outubro, e é programa obrigatório para qualquer um que goste de cinema. O diretor está de volta e nos traz um filme de guerra diferente das fórmulas já feitas. As marcas registradas de Tarantino estão em cada cena do filme e temos como resultado a sua melhor obra desde o sensacional “Pulp Fiction” de 15 anos atrás.

Tudo começa no interior de uma França ocupada pelos nazistas, no auge da segunda guerra mundial, onde somos apresentados a duas histórias paralelas. Uma envolve uma judia francesa chamada Shosanna que consegue escapar do massacre da sua família promovido por um dos oficiais mais temidos da Gestapo, o “Caçador de Judeus” Hans Landa. A segunda é protagonizada pelos “bastardos”, um grupo de soldados judeus dos Estados Unidos, liderados pelo oficial Aldo Raine, que procura matar todos os nazistas que encontram pelo caminho, sempre arrancando o escalpo dos inimigos como prêmio.

Como todos os filmes de Tarantino, temos personagens memoráveis, e o que se destaca nesse é o “Caçador de Judeus”. Poucas vezes conseguimos detestar e ao mesmo tempo temer um vilão, mas o ótimo desempenho de Christoph Waltz torna isso possível desde o seu primeiro momento em tela. Em todas as cenas em que ele está presente, a tensão é sempre crescente, atingindo níveis que beiram o insuportável. Ele é um personagem que vai vir à mente sempre que o filme for lembrado e é aposta certa para o Oscar de coadjuvante do ano que vem.

Os diálogos também são um ponto forte de “Bastardos Inglórios”. Desde aquele que compara os judeus a ratos, até o jogo de perguntas e respostas numa mesa recheada de inimigos, o filme nunca perde nossa atenção. Algo importante que também colabora com o envolvimento entre o espectador e o filme é a sensação de nunca saber o que pode acontecer. Primeiro pela falta de medo que o diretor tem em se livrar de personagens. Por mais protagonistas que eles sejam, eles podem morrer a qualquer momento. Segundo pelas liberdades históricas. Saber como tudo acabou não nos dá certeza de nada. E esses dois fatores nos enchem de tensão e de interesse pela história, afinal, não sabemos como nada vai acabar.

Mesmo tendo 2 horas e meia de projeção, o filme nunca é cansativo e sequer parece ter essa metragem toda. Ainda contando com uma atuação muito boa de Brad Pitt, “Bastardos Inglórios” representa a volta de Tarantino à sua melhor forma. E uma ida ao cinema nesse feriadão para conferir esse retorno, não vai gerar qualquer decepção.

08
out
09

Heroes S04E04 – Acceptance

Encher lingüiça 1. Dizer ou escrever coisas que não vêm ou mal vêm a propósito da matéria tratada. 2. Ocupar tempo com outra coisa que não a combinada ou esperada.

Nada mais apropriado do que iniciar a crítica do 4º episódio dessa nova temporada de “Heroes” com a definição dada pelo Aurélio para o termo acima. Afinal, “encher lingüiça” foi o que foi feito durante 90% do episódio e isso é frustrante. Chegou a tal ponto em que, algumas horas depois, eu tinha esquecido que tinha assistido o episódio. E com isso, parece que o seriado não vai conseguir sair da sua cova já cavada.

Não vou falar da “importantíssima” missão do Hiro de salvar um incompetente do suicídio, ou do papinho super profundo da Claire e do seu pai sobre o que ele pode fazer com a vida dele, ou da Tracy decidindo deixar de ser prostituta. Afinal, o que essas tramas trouxeram pra história? Nada! Já disse aqui no blog, em críticas de outros seriados, que é necessário haver uma trama maior que ligue os episódios e mantenha nosso interesse. E essas traminhas infantis e desconexas não ajudam. O que importa o fato da Tracy se tornar pudica dentro do mistério que envolve o pessoal do circo? Isso dá saudades do homem-bomba da primeira temporada.

"Vamos juntos fazer uma história interessante para esse episódio, tia do tapa-olho em Pushing Daisies?" "Vamos, Nathan/Sylar!"Enquanto isso, o que se salvou foi a história do Nathan. À princípio, parecia que era algo sem propósito como as outras situações do episódio, mas no final, vemos que aquilo serviu como um estopim para a volta de Sylar. Não acredito que ele tenha voltado pra valer, acho que foi só uma reação do corpo dele que voltou à forma original. Mas a cena do Nathan saindo da terra com o rosto do Sylar nos trouxe esperanças de que bons momentos virão.

Então, continuamos nossa jornada. Semana que vem tem o alardeado beijo lésbico da Claire. Com isso, nosso movimento “Claire-vira-logo-sapatão” finalmente vai ficar satisfeito.

06
out
09

Flash Forward – S01E01 – No More Good Days / S01E02 – White to Play

“Flash Forward” era a estréia desse ‘fall season’ que mais tinha responsabilidade sobre os ombros. Tida por alguns como a sucessora de “Lost” e possuidora de uma premissa que é no mínimo instigante, “Flash Forward” iniciou com um piloto bombástico, mas o segundo episódio foi um tanto quanto morno. E isso pode ser a concretização do maior medo que eu tinha sobre a série, o receio de que uma premissa assim não seja o bastante pra nos segurar durante uma temporada inteira.

"Onde eu estacionei meu carro?"Em “No More Good Days”, presenciamos o evento global em que toda a humanidade ficou desacordada por 2 minutos e 17 segundos, resultando em inúmeras tragédias pelo mundo inteiro. Após algumas conclusões forçadas por parte do FBI, descobrimos que nesse blecaute, todos tiveram visões de suas vidas 6 meses no futuro. Agora, todos trabalham para descobrir o que causou esse blecaute, usando como pista as visões do futuro de cada pessoa, que juntas formam um tipo de mosaico. Com algumas cenas de tensão, o episódio foi muito bom, concluindo com uma cena assustadora do homem andando no meio do estádio desmaiado.

"Filho, eu vou pegar sua médica! Todo mundo já sabe, mas o seriado não cansa de repetir!"Já “White to Play” teve como momento alto as crianças brincando de blecaute, onde cada uma apagava e via o futuro. Foi uma cena bizarra e perturbadora. Fora isso, tivemos, ao longo do episódio, uns 15 minutos só de cenas que já tínhamos visto, o que me incomodou bastante. Parece que os roteiristas estão duvidando da nossa capacidade de lembrar o que aconteceu no começo do seriado e isso se torna muito irritante depois de um tempo. Chega de imagens do flash forward do tira voltando a beber ou da esposa com outro homem! A gente já entendeu! E a história com isso perde, pois não evoluiu em quase nada.

Então, continuarei a assistir “Flash Forward” com a esperança de que eles não troquem os pés pelas mãos no desenvolver da série. Afinal, apesar do seriado ter uma premissa que é genial, ao mesmo tempo ela é ingrata, pois exige muito dos roteiristas para manter nosso interesse. E encher lingüiça mostrando cenas repetidas não é uma boa maneira de alongar a história.

05
out
09

Abraços Partidos – Abrazos Rotos

Um dos filmes mais concorridos do Festival de 2009 foi o novo de Pedro Almodóvar. Quando fui comprar meus ingressos, já fui meio conformado de que esse eu não conseguiria ver. Entretanto, ao chegar à central de vendas, “Abraços Partidos” tinha acabado de ser liberado para venda e, ironicamente, fui um dos primeiros a garantir o ingresso.

E, após tanta espera, pude confirmar que o filme é bom. Acho as histórias dos filmes do “Almodóvar dramático” bastante envolventes e nesse caso não foi diferente. Penélope Cruz está muito bem como a protagonista que mantém um casamento infeliz com o propósito de realizar seu sonho de se tornar atriz. Mas o filme é mesmo de Lluís Homar, que traz uma humanidade palpável ao seu Harry Caine. No princípio podemos achar ele frio e superficial, mas à medida que conhecemos o seu passado, vemos o que o levou a ser assim. E ao mesmo tempo que aqueles acontecimentos foram a causa de seu isolamento do mundo, eles também serão sua porta para a salvação.

Com diálogos sempre irreverentes e atores com experiência em trabalhar com o texto do espanhol, o filme se desenvolve muito bem e nem parece ter as 2 horas de projeção que possui. “Abraços Partidos” é uma jornada pelas lembranças dolorosas de alguém que perdeu as coisas que mais amava, mas ao mesmo tempo é a superação de aprender a viver em busca de novos amores.

05
out
09

Dexter – S04E01 – Living the Dream

Mais uma temporada do assassino serial humanizado começa e, para minha surpresa, acima das expectativas.

A quarta temporada de “Dexter” representa um verdadeiro desafio para os roteiristas do seriado. Primeiro pelo fato da história da série ter se distanciado muito do que é retratado nos livros de Jeff Lindsay. Segundo porque todos os conflitos óbvios que poderiam ser explorados na história já estiveram presentes de alguma maneira. Com isso, só restam duas opções aos criadores, ou eles se superam, tirando mais coelhos da cartola, ou eles reciclam idéias já feitas, o que, infelizmente, acaba sendo a saída mais tomada. No caso de “Dexter”, aconteceu um certo misto. Houve reciclagem, mas também houve originalidade. E foi isso que me surpreendeu.

"Rita chata! Tomara que o novo assassino te mate"Começamos o episódio vendo que Dexter está, assim como diz o título do episódio, vivendo o sonho, pelo menos o sonho do cidadão comum. Tem um bom emprego, um esposa, filhos, mora numa casa com piscina em um típico bairro suburbano de Miami. Entretanto, o que nosso protagonista necessita é tirar vidas, e adequar esse antigo hábito com as novas responsabilidades que é o verdadeiro desafio. E é desse conflito de interesses, onde Dexter não tem mais tempo sequer pra dormir, que vieram os melhores momentos do episódio. A apresentação do programa em câmera lenta, retratando bem a situação, foi genial.

Como pontos baixos, tivemos a parte da reciclagem. Mais um assassino perigoso à solta. Batista e LaGuerta engataram o romance mais forçado que já vi. Debra sempre com problemas na vida amorosa. E, o pior de tudo, Quinn se tornou um substituto de Doakes. É uma pena que falta de originalidade seja um problema para a série da qual sempre se esperou ser original.

Ao menos esse início de temporada me deixou esperançoso e tomara que ela não demore até a metade para engatar como aconteceu ano passado. “Dexter” provou que ainda tem conteúdo a ser explorado, mas espero que os roteiristas não tropecem nos próprios erros.

02
out
09

Distrito 9 – District 9

Ontem, tive o prazer de assistir um dos melhores filmes de alienígenas dos últimos tempos. “Distrito 9” aposta numa estrutural meio documental, meio narrativa tradicional e, usando como pano de fundo uma favela, na África do Sul, habitada por seres de outro planeta, traz uma metáfora sobre as diferenças sociais e a intolerância da humanidade.

O filme começa com a chegada de uma enorme nave espacial sobre à cidade de Joanesburgo, que, mais tarde, descobre-se estar cheia de seres alienígenas debilitados e à beira da morte. As autoridades decidem ajudar esses seres e os alocam numa área da cidade, similar a uma favela, chamada de “Distrito 9”. Com o tempo, a euforia dá lugar ao preconceito e ao medo. Os aliens são tratados como ameaça e o governo decide acabar com o Distrito 9, realocando os aliens para um lugar afastado da cidade. Nessa operação de desalojamento, somos apresentados ao protagonista Wikus Van De Merwe, que tem a vida totalmente alterada ao entrar em contato com um líquido alienígena que o transforma no homem mais valioso do planeta.

O enredo é envolvente e o fato de explorar problemas sociais durante a projeção também colabora para o resultado final positivo. Mas é claro que o filme não é só papo. A tensão permeia alguns momentos e as sequências de ação são bem excitantes, especialmente uma envolvendo um robô gigante. E pra quem gosta de sangue, o filme tem bastante, graças a uma arma alienígena que explode tudo em seu caminho.

Então, “Distrito 9” é um filme obrigatório para quem gosta de ficção cientifica, mas não somente pra eles. O seu contexto social também é bem válido e nos faz perguntar como agiria a humanidade se algum dia, ela se visse numa situação de contato com uma raça de outro planeta. Será que o que vemos no filme seria a nossa reação? Infelizmente, acho que sim.