28
set
09

A Prisão de Roman Polanski

Depois de passar um fim de semana meio isolado do mundo do entretenimento em virtude de uma viagem, me deparo com uma notícia que me deixou chocado nessa manhã de segunda-feira: Roman Polanski foi preso no último sábado na cidade de Zurique.

O vencedor do Oscar por “O Pianista” tinha ido à Suíça receber um prêmio de homenagem em um festival de cinema. Entretanto, as autoridades do país souberam antecipadamente de sua chegada e, com isso, armaram uma emboscada para o diretor no seu desembarque no aeroporto.

Prisão em 78.

Prisão em 78.

A perseguição a Roman Polanski começou em 1977, quando ele foi acusado de estuprar uma garota de 13 anos em uma festa do seu amigo Jack Nicholson, com quem tinha trabalhado 3 anos antes no filme “Chinatown”. Polanski foi indiciado em 78, confessou que teve relações com a garota e chegou a passar alguns dias na cadeia, mas saiu após pagar fiança. Em liberdade, fugiu para a Europa e se refugiou na França, onde estava até então.

Como a França não possui acordo de extradição com o governo norte-americano, o diretor ficou seguro por essas três décadas. Mas na Suíça, o cenário é diferente, já que tal acordo existe e Polanski corre o risco de ser extraditado para os Estados Unidos, onde teria que responder pelas acusações e correria o risco de ser condenado a prisão perpétua.

O Bebê de Rosemary.

O Bebê de Rosemary.

Deixando um pouco de lado todo esse jogo político, onde os Estados Unidos mais uma vez tentam mostrar que têm poder para fazer o que quiserem, podemos aproveitar a oportunidade para apreciar os grandes trabalhos que Roman Polanski trouxe às telas de cinema. Afinal, ele que dirigiu um dos clássicos do terror psicológico: “O Bebê de Rosemary”. Neste filme, Rosemary, interpretada muito bem por uma jovem Mia Farrow, vê sua gravidez cercada de eventos estranhos, após se mudar para um apartamento cheio de vizinhos suspeitos, a partir daí, a paranóia começa a tomar conta da sua vida. Se você realmente quer sentir medo em um filme de terror, essa produção de 1968 é obrigatória.

Fora essa obra-prima do terror, Polanski dirigiu um clássico dos filmes noir: “Chinatown”, com Jack Nicholson e Faye Dunaway, atriz com quem o diretor brigava constantemente no set de filmagens (ele chegou até a arrancar alguns tufos de cabelos de Faye). E, claro, talvez o filme mais famoso dele nos dias de hoje: “O Pianista”, filme que lhe rendeu o Oscar e que lançou Adrien Brody ao estrelato.

Polanski e Deneuve em "Repulsa ao Sexo"

Polanski e Deneuve em "Repulsa ao Sexo"

Por fim, gostaria de deixar como dica o filme do diretor polonês que considero o seu melhor de todos: “Repulsa ao Sexo” (Repulsion) de 1965. Aqui, uma sublime Catherine Deneuve é deixada em casa sozinha, devido a uma viagem de férias da irmã, e aos poucos sua repressão sexual vai levando-a lentamente à loucura. Os devaneios de Carole, o personagem de Deneuve, são marcantes e perturbadores. “Repulsa ao Sexo” é devastador e inesquecível, meu Polanski favorito.

Então, acompanharei de perto a prisão do diretor e sua possível extradição. Vamos torcer para que os apelos dos principais representantes da comunidade cinematográfica surtam efeito e essa necessidade incontrolável dos EUA de mostrarem seu poder e ostentarem seu orgulho chegue a um fim. Roman Polanski deve ser libertado.

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1 Response to “A Prisão de Roman Polanski”


  1. 1 samdrade
    outubro 6, 2009 às 3:25 am

    eu adoro repulsa tbm.D


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