02
set
09

O Preconceito às Animações Orientais

Princesa Mononoke

Princesa Mononoke

Hoje um colega de trabalho me abordou e disse que tinha visto “Kung Fu Panda” no fim de semana e que tinha gostado. Já eu respondi que achava um filme ruim, quando ele me respondeu: “ah, mas é um desenho”. Então voltei a discutir aquele velho preconceito que impera nas pessoas com relação aos desenhos animados, principalmente os orientais. 

Tokyo Godfathers

Tokyo Godfathers

Na cabeça do público médio de cinema, o desenho animado deve seguir uma fórmula pré-determinada, aquela história com o herói que supera os obstáculos ao mesmo tempo que aprende valiosas lições no que diz respeito a acreditar em si mesmo, ou a respeitar os outros, ou a dar valor às amizades verdadeiras, ou a todos os outros assuntos totalmente drenados e batidos da história do cinema (e todos tratados nos 80 minutos do fraquíssimo “Kung Fu Panda”). Idéia essa que deriva do pressuposto de que desenhos animados têm como público-alvo as crianças e somente elas.

 Analisando essa questão em âmbito de Brasil, em meados dos anos 90, presenciamos o golpe que ajudou a dar início à destruição deste dogma no Brasil. E esse golpe se chamava anime.

 O pioneiro de todos os animes para adultos no Brasil foi “Os Cavaleiros do Zodíaco” (Saint Seiya). A sua violência, que nunca antes visto naquelas cores que, até então, eram próprias dos olhos das crianças, desagradou muitas pessoas. Pessoas que não aceitariam que seu dogma fosse quebrado tão bruscamente. Apesar dos inúmeros protestos, “Saint Seiya” foi um estrondoso sucesso no Brasil e abriu as portas para vários outros produtos orientais com a mesma temática adulta. Entretanto, a cabeça do público não mudou, para proteger seus preceitos foi criado o nicho dos “desenhos japoneses”, considerados indecentes, violentos e estranhos, viraram uma espécie de categoria marginalizada da animação. 

Perfect Blue

Perfect Blue

Então, com todo esse cenário construído, posso dizer que meu objetivo com esse texto é apenas um: tentar abrir os olhos de novas pessoas para as obras animadas do oriente. Um fã de cinema, com certeza, apreciará e se surpreenderá com as grandes obras de Satoshi Kon (“Perfect Blue”, “Tokyo Godfathers” e “Paprika”), Katsuhiro Otomo (“Akira” e “Steamboy”), Mamoru Oshii (“Ghost in the Shell”) e do mestre Hayao Miyazaki, diretor de obras inesquecíveis como “Princesa Mononoke”, “O Castelo Animado”, “Meu Amigo Totoro” e “A Viagem de Chihiro”. Encorajo todos a conferirem algum desses trabalhos e sinceramente espero que influenciem suas idéias de alguma maneira.

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