Arquivo para 19 de novembro de 2008

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Um Olhar sobre a Trilogia da Vingança

O diretor coreano Park Chan-Wook criou, ao longo dos anos de 2002 a 2005, uma trilogia de filmes com um tema em comum: a vingança. Levantando todos os sentimentos gerados por tal ato, por mais conflitantes que sejam, o diretor nos leva por uma jornada que nos marcará de alguma maneira, além de nos fornecer um ótimo material para discussão envolvendo motivos, atos e conseqüências. E são essas três variantes que permeiam, respectivamente, cada filme da trilogia.

Mr. Vingança

Mr. Vingança

 

 “Mr. Vingança” (Boksuneun naui geot) de 2002 abre a seqüência de filmes e concentra a maior parte de sua metragem em exibir os motivos que culminam no acerto de contas entre os protagonistas da história. Aqui somos apresentados a Ryu, um surdo-mudo, cuja irmã precisa com urgência de um transplante de rim, e ao empresário Dong-Jin. Inúmeros acontecimentos farão com que as vidas dos dois se cruzem e as conseqüências deste encontro serão irremediáveis.
Dos três filmes, este foi o que mais me deixou incomodado, pois, ao mostrar os atos irreversíveis que levaram cada uma daquelas personagens a agir com agiram, pode-se sentir na pele o desespero e a angústia que os permeiam. Em “Mr. Vingança”, os motivos são incontestáveis e o acerto de contas culmina numa adequada ironia, já que a vingança é, de certo modo, cíclica.

  

Oldboy

Oldboy

Já em “Oldboy” de 2003, o foco é o ato da vingança em si. Oh Dae-Su fica 15 anos preso em um quarto, sem motivo algum, e um dia simplesmente é libertado. A partir daí, ele se joga em uma busca por vingança onde todos são suspeitos, o que o leva a um jogo de gato e rato com o excepcional vilão Woo-jin Lee, um dos melhores antagonistas que já tive a oportunidade de ver em película. Aqui os motivos não importam, a execução da vingança é o prato principal, e o fluxo da narrativa, as personagens marcantes e o desfecho espetacular fazem de “Oldboy” o ponto alto deste conjunto de filmes.
 Lady Vingança

Lady Vingança

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O último passo da jornada é “Lady Vingança” (Chinjeolhan geumjassi) de 2005. Nele somos apresentados a adorável Geum-ja Lee que ficou 13 anos na prisão pelo seqüestro e assassinato de um garoto de 6 anos. Ao ficar livre, ela põe em ação um arquitetado plano de vingança contra o verdadeiro culpado do crime. Aqui, vemos um pouco mais das conseqüências de um ato dessa natureza, já que para Geum-ja o resultado acaba sendo um pouco mais amargo do que doce. Além disso, há as implicações morais da justiça feita pelas próprias mãos e a conflitante recompensa emocional de tirar a vida de alguém que tirou alguém importante pra você. A seqüência final com os pais das vítimas do verdadeiro assassino vai ficar marcada na mente de todos por algum tempo pela sua forte carga dramática. Apesar de achar que esse é o mais irregular dos três filmes, talvez por um humor um tanto fora de contexto, “Lady Vingança” fecha a trilogia com chave de ouro.
Então, conhecemos os motivos, passamos pelo ato e enfrentamos as conseqüências, o que fica depois disso? Bem, prefiro deixar a frase que aparece várias vezes ao longo de “Oldboy” e que não poderia ser mais verdadeira do que é:

“Ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho.”

E é exatamente dessa verdade que nasce o sentimento da vingança.

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