Arquivo para novembro \21\UTC 2008

21
nov
08

007- Um Pouco de Conforto

O Belissimo Pôster

O Belíssimo Pôster

Bem, para podermos finalmente esgotar o assunto da vingança, aproveitarei esse gancho e farei algumas considerações sobre o novo filme de 007. Primeiramente, continuações, em minha opinião, só deveriam existir se houver o intuito de levar a história adiante. Aquelas franquias que possuem filmes episódicos e desconsideram acontecimentos anteriores, como Indiana Jones, o Batman dos anos 90, ou o próprio James Bond, sempre despertaram um interesse menor em mim, já que não pareciam as pequenas partes de um mesmo todo. Mas, com a reinvenção da série do agente secreto no excelente “Cassino Royale”, houve a chance de dar um novo rumo às suas aventuras, um rumo que propiciaria uma evolução, um arco pra sua personagem, ou seja, ele terminaria a projeção de uma maneira diferente da que começou. E é extremamente decepcionante ver que “Quantum of Solace” aproveitou tão mal essa oportunidade.
O filme começa exatamente onde terminou “Cassino Royale”, com um 007 devastado pela perda de quem ele se permitiu amar e gira em torno da sua vingança pessoal pela sua morte, ou pelo menos a princípio achamos. Na verdade, é como se toda essa história fosse interrompida por um gigantesco parênteses envolvendo organizações secretas em busca do controle exclusivo de recursos naturais, e o que era realmente interessante fica recluso ao começo e ao final do filme. Fora que Eva Green faz uma grande falta e as cenas de ações em excesso se tornam um pouco cansativas.
O título do filme, dessa vez, não foi traduzido para o lançamento no Brasil, mas, se fosse, seria algo como “Um Pouco de Conforto”, que é exatamente o que Bond busca após o fim do filme anterior. Pena que a busca acabou se tornando frustrante e mal concebida. “Quantum of Solace” não é um filme ruim, mas, ao lado do seu fantástico antecessor ele parece bem pior do que é.

A Seguir: Trailers, ou como contar duas horas de filme em dois minutos.

19
nov
08

Um Olhar sobre a Trilogia da Vingança

O diretor coreano Park Chan-Wook criou, ao longo dos anos de 2002 a 2005, uma trilogia de filmes com um tema em comum: a vingança. Levantando todos os sentimentos gerados por tal ato, por mais conflitantes que sejam, o diretor nos leva por uma jornada que nos marcará de alguma maneira, além de nos fornecer um ótimo material para discussão envolvendo motivos, atos e conseqüências. E são essas três variantes que permeiam, respectivamente, cada filme da trilogia.

Mr. Vingança

Mr. Vingança

 

 “Mr. Vingança” (Boksuneun naui geot) de 2002 abre a seqüência de filmes e concentra a maior parte de sua metragem em exibir os motivos que culminam no acerto de contas entre os protagonistas da história. Aqui somos apresentados a Ryu, um surdo-mudo, cuja irmã precisa com urgência de um transplante de rim, e ao empresário Dong-Jin. Inúmeros acontecimentos farão com que as vidas dos dois se cruzem e as conseqüências deste encontro serão irremediáveis.
Dos três filmes, este foi o que mais me deixou incomodado, pois, ao mostrar os atos irreversíveis que levaram cada uma daquelas personagens a agir com agiram, pode-se sentir na pele o desespero e a angústia que os permeiam. Em “Mr. Vingança”, os motivos são incontestáveis e o acerto de contas culmina numa adequada ironia, já que a vingança é, de certo modo, cíclica.

  

Oldboy

Oldboy

Já em “Oldboy” de 2003, o foco é o ato da vingança em si. Oh Dae-Su fica 15 anos preso em um quarto, sem motivo algum, e um dia simplesmente é libertado. A partir daí, ele se joga em uma busca por vingança onde todos são suspeitos, o que o leva a um jogo de gato e rato com o excepcional vilão Woo-jin Lee, um dos melhores antagonistas que já tive a oportunidade de ver em película. Aqui os motivos não importam, a execução da vingança é o prato principal, e o fluxo da narrativa, as personagens marcantes e o desfecho espetacular fazem de “Oldboy” o ponto alto deste conjunto de filmes.
 Lady Vingança

Lady Vingança

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O último passo da jornada é “Lady Vingança” (Chinjeolhan geumjassi) de 2005. Nele somos apresentados a adorável Geum-ja Lee que ficou 13 anos na prisão pelo seqüestro e assassinato de um garoto de 6 anos. Ao ficar livre, ela põe em ação um arquitetado plano de vingança contra o verdadeiro culpado do crime. Aqui, vemos um pouco mais das conseqüências de um ato dessa natureza, já que para Geum-ja o resultado acaba sendo um pouco mais amargo do que doce. Além disso, há as implicações morais da justiça feita pelas próprias mãos e a conflitante recompensa emocional de tirar a vida de alguém que tirou alguém importante pra você. A seqüência final com os pais das vítimas do verdadeiro assassino vai ficar marcada na mente de todos por algum tempo pela sua forte carga dramática. Apesar de achar que esse é o mais irregular dos três filmes, talvez por um humor um tanto fora de contexto, “Lady Vingança” fecha a trilogia com chave de ouro.
Então, conhecemos os motivos, passamos pelo ato e enfrentamos as conseqüências, o que fica depois disso? Bem, prefiro deixar a frase que aparece várias vezes ao longo de “Oldboy” e que não poderia ser mais verdadeira do que é:

“Ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho.”

E é exatamente dessa verdade que nasce o sentimento da vingança.

15
nov
08

Quê?!?!? Spielberg de Olho em “Oldboy”!‏

Grande mocinho, excepcional vilão.

Grande mocinho, excepcional vilão.

 

Nesta última semana, uma notícia do mundo cinematográfico me pegou de surpresa. Um remake hollywoodiano do clássico moderno do diretor coreano Park Chan-Wook “Oldboy” está em fase de negociação e, para piorar a situação, a negociação envolve Steven Spielberg como diretor e Will Smith
como o protagonista Oh Dae-Su.
Claro que inúmeros cinéfilos que, assim como eu, adoram esse filme entraram em polvorosa. Spielberg e Smith seriam capazes de refilmar essa história de maneira satisfatória? Na minha humilde opinião, este é um projeto fadado ao fracasso desde já.
Desde os anos 70 e início dos anos 80, quando fez “Tubarão”, “Encurralado”, “Os Caçadores da Arca Perdida” e o incrível “A Cor Púrpura”, Spielberg não mostra inspiração em seus trabalhos. São sempre aquelas produções que seguem as mesmas fórmulas e o maniqueísmo padrão, como “Hook”, “Amistad”, “Guerra dos Mundos” e o crime hediondo à humanidade que foi o novo “Indiana Jones” (qual o sentido da cena da geladeira!?!?!?!!?).
Mas são dois os mais claros exemplos da falta de peito do Spielberg contemporâneo. Primeiro, a edição de 20 anos de “E.T.” que foi lançada em 2002. O diretor suavizou o filme em diversas cenas, inclusive substituindo digitalmente armas nas mãos de alguns policiais por walkie-talkies (!), evidenciando essa doutrina mais moralista que ele incorporou. E, segundo, temos a última revirada no túmulo de Stanley Kubrick, mais conhecida por “A.I – Inteligência Artificial”. Que potencial tinha aquela história! Ainda
mais quando descobrimos tudo que Kubrick concebeu na pré-produção deste projeto. Mas infelizmente só podemos imaginar o que teria sido, já que o filme foi totalmente re-imaginado e os seus trinta minutos finais (altamente spielbergianos) trazem um dos finais felizes mais forçados e inverossímeis já vistos. (E como não comentar o fetiche que Spielberg tem por aliens?)
Então, tendo essas evidências expostas, o que esperar do “Oldboy” made in america? Pra enumerar algumas: nada de língua cortada, nada de suicídio no elevador, nada de dentes arrancados com martelos, nada das reviravoltas que tornam a história tão envolvente, mas muito moralismo, valores hipócritas e, quem sabe, aliens ou uma caveira de cristal. Spielberg se tornou um diretor infantilizado, e o próximo projeto dele, “Tintim”, deve mostrar que ele deve se ater mesmo a esse nicho de filmes infanto-juvenis.
Tomara que eu esteja errado e queime minha língua, mas se for como eu digo, eu adorarei detestar esse filme.

A Seguir: Um olhar sobre “A Trilogia da Vingança”.

15
nov
08

O Legado de Michael Bay

Um tranformer matando meus neurônios.

Um transformer matando meus neurônios.

Podem anotar aí: com Transformers, Michael Bay dá mais um passo pra ser lembrado como o pior diretor do cinema moderno. Por alguns anos, achei que Roland Emmerich conseguiria essa honra, mas, depois do sofrível “Amargeddon” (o qual possui uma estúpida citação no filme) e de um dos maiores crimes da história “Pearl Harbor”, Michael Bay se vira pra gente, aponta o dedo na nossa cara e diz: ainda estou aqui e posso fazer muito pior. Junte aí a produção do melodramático Steven Spielberg e a caixa de pandora foi definitivamente aberta.
O que dizer das atuações? Bem, antes de tudo, devo destacar a única coisa boa do filme: John Turturro, seu personagem foi o único que marcou e devia ter merecido mais destaque. Agora pra John Voight, uma palavra com a qual ele deve estar se acostumando: vergonhoso.
Aqui abro um parênteses pra expressar meu repúdio ao ator Anthony Anderson. Todo e qualquer filme em que ele aparece, ele faz sempre o mesmo personagem, o mesmo escandaloso, babaca e totalmente sem graça personagem. E o pior é que não sabia que ele estava no filme… essa foi a cereja no meu sundae…
Foram mais de duas horas de ufanismo norte-americano, melodramas pessoais de pessoas pra quem você dá a mínima e um discurso batido de que os humanos possuem bondade dentro deles (cortesia do Spielberg?). E nem a ação que eu esperava que fosse salvar convenceu. Com aquela câmera epiléptica e o mais de trinta cortes por segundo, ainda agora me perguntou o que aconteceu no filme.
Acho que realmente seria um bom toque se o Leslie Nielsen tivesse aparecido como o presidente.